Casos de Uso Blockchain: Caridade

14.02.2019

Casos de Uso Blockchain: Caridade

Blockchain para instituições de caridade: uma introdução à criptofilantropia

Instituições de caridade muitas vezes enfrentam barreiras para o sucesso devido à falta de transparência, a questões de responsabilidade e às limitações nas formas de aceitar doações.     A criptofilantropia (uso da tecnologia blockchain para facilitar as contribuições de caridade) oferece uma solução alternativa com transações descentralizadas e diretas que podem ajudar essas organizações a receber doações e arrecadar fundos com mais eficiência.


Noções básicas de blockchain

A criação de sistemas blockchain trouxe muitos benefícios em vários setores da indústria, pois eles permitem maior transparência e segurança dos dados. Embora o conceito existisse muito antes da criação da Bitcoin, foi apenas recentemente que o potencial da blockchain começou a ser reconhecido de maneira mais ampla.

A tecnologia Blockchain é um componente fundamental de quase todas as redes econômicas de criptomoedas. Inicialmente implementada por Satoshi Nakamoto como o livro razão (ledger) da Bitcoin,a tecnologia também tem sido aplicada em vários outros cenários e provou ser bastante útil. Não apenas para moedas digitais, mas para muitos outros tipos de comunicação digital e compartilhamento de dados e informações.

A blockchain Bitcoin opera como uma tecnologia de contabilidade distribuída (distributed ledger technology ou DLT), que é protegida por criptografia e mantida por uma enorme rede de computadores (nodes). Essa estrutura permite transações peer-to-peer (P2P) sem fronteiras dentro de um ambiente não confiável. Ou seja, não há necessidade de os usuários confiarem uns nos outros já que todos os nós da rede são obrigados a seguir um conjunto predefinido de regras (definidas pelo protocolo Bitcoin).

O ledger da Bitcoin usado para essas transações não reside em nenhum centro de dados (data center) ou servidor. Ao invés disso, a blockchain é distribuída e replicada em uma infinidade de nodes, espalhados pelo mundo. Isso significa que toda vez que uma transação é confirmada ou tem dados alterados, cada participante tem que atualizar a sua própria versão da blockchain de acordo com esses eventos (eles devem chegar a um consenso em relação a cada mudança).

Conforme mencionado, a blockchain é frequentemente usada como um ledger distribuído e as vantagens oferecidas por essa tecnologia única estão ajudando muitas organizações filantrópicas e instituições de caridade. A fundação Binance Blockchain Charity Foundation (BCF) é um exemplo notável.


Doações de criptomoedas

Ainda há um longo caminho a percorrer até que as criptomoedas sejam globalmente adotadas e essa rota é particularmente mais longa quando se trata de caridade. Atualmente, há um número pequeno, mas crescente, de organizações beneficentes que já adotaram a criptomoeda como um método de doação.

Os doadores que pretendem usar criptomoedas para fazer suas contribuições podem ter que restringir seus esforços às poucas organizações que as aceitam ou doar grandes quantidades como uma tentativa de persuadir suas instituições de caridade favoritas a aceitar pagamentos em criptomoedas.

Antes de uma instituição de caridade começar a receber doações em criptomoeda, ela precisa ter um processo para gerenciar e distribuir os fundos de maneira transparente e eficiente. Entender os fundamentos das criptomoedas e da tecnologia blockchain - e como as doações podem ser convertidas em dinheiro (fiat) - é crucial para uma estratégia de implementação eficaz.


Potenciais benefícios da criptofilantropia

A criptofilantropia promete algumas vantagens notáveis para instituições de caridade e doadores, incluindo:

  • Transparência total: cada transação de criptomoeda é única, o que significa que ela também é facilmente rastreada através da tecnologia blockchain. O alto nível de transparência e responsabilidade pública pode aliviar a mente dos doadores e incentivá-los a doar ao mesmo tempo em que fortalece a reputação e a integridade da instituição.
  • Global e descentralizada: a maior parte das redes blockchain apresentam altos níveis de descentralização, o que significa que elas não precisam depender de um governo centralizado ou de outra instituição. Assim, os fundos podem passar diretamente de doadores para instituições de caridade, e a natureza descentralizada da blockchain a torna especialmente adequada para transações internacionais.
  • Acordos digitais: A blockchain facilita o compartilhamento e o armazenamento de dados digitais e também pode ser usada para garantir que documentos ou contratos importantes não possam ser modificados sem a aprovação de todos os membros envolvidos. 
  • Redução de custos: A tecnologia blockchain tem o potencial de simplificar o gerenciamento das instituições de caridade, automatizando partes do processo e reduzindo os custos gerais, exigindo menos intermediários.
  • Taxas reduzidas: considerando um doador dos EUA como exemplo, se uma contribuição for feita em Bitcoin, a instituição de caridade receberá o valor total doado (sem impostos sobre ganho de capital). Além disso, o doador seria capaz de reivindicar uma maior dedução fiscal em relação aos agentes governamentais.


Problemas e limitações

Apesar das potenciais vantagens, existem algumas possíveis preocupações a serem consideradas na adoção da criptofilantropia:

  • Volatilidade: com exceção das stablecoins (moedas estáveis), a maioria das criptomoedas estão sendo negociadas em mercados altamente voláteis e muitas vezes sofrem grandes variações de valor. 
  • Segurança: Se as chaves privadas que dão acesso aos fundos doados forem perdidas, não há como recuperá-las. Da mesma forma, se as chaves não forem adequadamente gerenciadas e protegidas, uma entidade mal intencionada poderá acessar as carteiras e roubar os fundos.
  • Consciência e compreensão públicas: a maioria das pessoas acha que a tecnologia blockchain é bastante difícil de se explicar e muitos doadores em potencial não entendem o suficiente de criptomoedas para confiar no sistema ou fazer uso dele para doações de caridade.


Casos do mundo real

Nos últimos anos, a criptofilantropia foi adotada por algumas instituições de caridade de alto nível. Em 2017, por exemplo, a organização filantrópica global Fidelity Charitable recebeu o equivalente a US$ 69 milhões em doações por criptomoedas. No mesmo ano, um doador anônimo conhecido como “Pine”, distribuiu cerca de US$55 milhões em doações de Bitcoin para várias organizações ao redor do mundo através do Pineapple Fund.

Como apresentado anteriormente, a Blockchain Charity Foundation (BCF) é outro exemplo notável de criptofilantropia. A BCF é uma organização sem fins lucrativos que visa transformar a filantropia através do uso de uma plataforma de caridade descentralizada.


Considerações finais

A criptofilantropia continua sendo um método relativamente novo de doar, aceitar e distribuir doações. Porém à medida que a tecnologia blockchain se torna mais difundida e familiar, instituições de caridade e doadores podem vir a adotá-la como uma forma mais atraente de ajudar os necessitados. Parece sensato supor que, à medida que o público continue a adotar essa forma de doação, as organizações beneficentes aumentarão suas atividades e operações com base em criptomoedas.

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