O que é Inflação?

Compartilhar
Ouça este artigo
00:00 / 00:00

Inflação é o aumento de preços dos bens e serviços numa economia durante um certo período de tempo. Por isso, a inflação é conhecida pela redução do poder de compra de uma moeda, e várias condições específicas caracterizam esse fenômeno.

Num primeiro momento o aumento de preços deve ser algo constante e não um evento isolado. Quando o preço de um produto específico aumenta de forma repentina, não é possível afirmar que isso ocorre devido à inflação. Esses casos são mais conhecidos como “mudança relativa de preços” e normalmente acontecem quando determinado produto sofre um desabastecimento e os compradores não conseguem encontrá-lo. Uma vez que a oferta retorna ao normal para atender todos os consumidores, o preço do produto volta à estabilidade. Por outro lado, durante o processo de inflação, os preços continuam aumentando sem se estabilizar.

Dessa forma, inflação envolve um aumento generalizado de preço dos bens e serviços. Enquanto a “mudança relativa de preços” afeta somente um ou dois produtos específicos, inflação representa o aumento de quase todos os itens de uma economia, começando por uma folha de papel até mesmo um carro.

Levando em conta todos os aspectos, inflação é um fenômeno de longo termo. O aumento generalizado de preços ocorre por um bom tempo. A maioria dos países modernos fazem uma medição anual da taxa de inflação, muitos estudos comprovam que esse fenômeno pode se estender durante vários e vários anos.


Como a Inflação Funciona?

Causas da Inflação

Economistas identificaram duas causas básicas para a inflação. A primeira, uma rápida expansão de base monetária. Por exemplo, quando os conquistadores Europeus dominaram todo o hemisfério ocidental no século XV, grandes quantidades de ouro e prata foram levadas para Europa, causando no continente uma severa inflação.

No segundo caso, inflação pode ocorrer quando um produto está em falta e muitos consumidores querem comprá-lo. Esse acontecimento pode causar um aumento generalizado no preço de quase todos os itens de uma economia, caso o mesmo tenha papel fundamental na produção e distribuição dos demais. Um bom exemplo disso são os combustíveis derivados do petróleo.


Medindo a Inflação

Existem vários métodos de medição da inflação. O mais conhecido é medir o preço dos produtos e serviços mais importantes. Para entender quais são esses itens, o governo costuma conduzir uma pesquisa na casa de cada família de uma localidade ou país. O preço desses itens mais importantes é registrado ao longo do tempo e usado como base de cálculo para definir a taxa de inflação.


Inflação vs. Deflação

Deflação é quando a economia sofre uma queda generalizada de preços durante um certo período. Embora a inflação seja uma ameaça para a economia de uma nação, a deflação também é muito perigosa.

Em primeiro lugar, deflação costuma diminuir a atividade econômica. Já que os preços só caem, consumidores criam o hábito de adiar a compra dos produtos sabendo da futura desvalorização. Em segundo lugar, a deflação pode fazer com que as empresas parem de investir na produção de mais itens levando em conta que os consumidores estão comprando menos. Isso resulta em menor demanda por empréstimos, que leva à juros baixos. Enquanto a baixa dos juros ajuda as pessoas que tomam empréstimos ou compram casas financiadas, acaba atrapalhando aquelas que vivem do rendimento recebido por poupar dinheiro em instituições financeiras.

Após a crise da bolsa americana de 1929, a Grande Depressão econômica (Great Depression) que se deu em seguida é um exemplo claro dos efeitos da deflação. Ela é considerada a maior e mais longa crise econômica já registrada no mundo moderno. A contração econômica causou uma baixa na base monetária e deu início à retração continuada. A taxa de desempregados nos Estados Unidos cresceu de 3.2% para quase 25% num período de quatro anos, diminuindo a demanda por produtos e resultando em ainda mais desempregados. 

Economistas chamam essa cadeia de acontecimentos de espiral deflacionária porque um acontecimento negativo leva à vários outros. Normalmente, alguns tipos de crises econômicas dão início ao ciclo com a redução da demanda por produtos e serviços, que por consequência diminui a produção, levando à redução de salários e desta forma diminui mais ainda a demanda e também os preços. Uma vez iniciada a espiral, outros problemas começam a aparecer e a crise só piora. Estudiosos do mercado financeiro consideram a espiral deflacionária como o maior perigo para a economia de qualquer país.


Inflação na Venezuela

Um claro exemplo do impacto que a inflação pode causar num país é encontrado na Venezuela. A nação sul-americana tem visto sua economia ser destruída pela inflação nos últimos anos. Políticas socialistas, corrupção descontrolada, e queda no preço do petróleo são as principais causas para a hiperinflação da Venezuela. Economistas preveem que a inflação acumulada de 2018 vai chegar à casa de 1 milhão por cento. Isso quer dizer que os preços aumentam de uma forma tão drástica que mudam a cada hora.

 

Por que Inflação Importa?

Embora a inflação seja algo muito prejudicial, ela pode ter alguns benefícios positivos. Em primeiro lugar, inflação pode estimular a atividade econômica de um país. Já que a base monetária é maior, existe mais dinheiro para ser gasto, que por consequência gera mais demanda. Isso estimula a produção, diminui o desemprego e coloca mais dinheiro na economia de modo geral.

Em segundo lugar, inflação protege a economia contra um perigo conhecido como “Paradoxo da Parcimônia”. Esse termo foi criado por John Maynard Keynes, um famoso economista do século XX. Ele se refere à prática dos consumidores adiarem a compra de produtos quando o preço está caindo durante o fenômeno de deflação. Como você pode ver, a inflação funciona de forma totalmente diferente – ela faz com que os consumidores comprem bens e contratem serviços rapidamente antes que o preço suba mais ainda.

 

Os Aspectos Negativos da Inflação

Ainda que economistas e oficiais do governo sejam sempre os mais preocupados com a inflação, isso também afeta de forma concreta a vida dos cidadãos comuns por vários motivos. Ela machuca de forma mais acentuada as pessoas vulneráveis da nação – os mais pobres e também os idosos, ao passo que diminui o salário real da classe trabalhadora. O terceiro ponto é que ela causa o aumento dos juros e ao final reduz o valor do dinheiro guardado. As pessoas que passaram anos poupando dinheiro para estudos ou aposentadoria vão ver que seu poder de compra diminuiu de forma acentuada.


Criptomoedas e a Inflação

Enquanto o governo das nações tenta controlar a inflação, o Bitcoin é visto por muitos como uma boa opção para se proteger contra a redução do poder de compra resultante da inflação. Isso só é possível por que o Bitcoin tem uma oferta fixa de 21 milhões de moedas. Apesar das controvérsias, muitos acreditam que isso faz do Bitcoin uma moeda deflacionária, e por isso, resistente à inflação. Por essa razão, alguns cidadãos Venezuelanos começaram a usar o Bitcoin e outras criptomoedas para se livrar da hiperinflação que aflige seu país.

Loading